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O bumba-meu-boi é a mais conhecida brincadeira dos festejos juninos no Maranhão. É um auto que reúne três formas de expressão artística (teatro, dança e música) e conta a estória da negra Catirina que, grávida, desejou comer a língua do boi predileto de seu amo, induzindo o seu marido, pai Francisco, a matar o boi para a satisfação de seu desejo. É composto das seguintes etapas:
- o guarnicê, quando o amo do boi chama o grupo para começar a apresentação;
- o lá vai, aviso de que a brincadeira está se dirigindo ao local da apresentação;
- a licença, permissão para que o grupo se apresente ao público;
- a saudação, quando são cantadas toadas de louvação ao dono da casa e ao boi;
- o urrou, momento que celebra a alegria de todos pelo restabelecimento do boi depois de ter sido sacrificado e a despedida, quando a brincadeira é encerrada.
A brincadeira do bumba-meu-boi apresenta um conjunto de personagens que pode variar segundo o sotaque ao qual os grupos pertencem. O sotaque também determina a variação na indumentária dos grupos.São cinco os sotaques: zabumba, orquestra, matraca ou sotaque da Ilha, baixada, cururupu ou costa de mão.
Os grupos de zabumba são caracterizados pelo ritmo cadenciado, marcado por grandes tantãs, conhecidos como zabumbas. Destaca-se a personagem do rajado - homens que fecham o cordão da brincadeira e que chamam a atenção por seus grandes e pesados chapéus de fitas coloridas e estampadas.
Os bois de orquestra têm sua dança embalada por instrumentos como banjo, clarinete, piston e bumbo, além de um forte apelo popular, sobretudo nos arraiais juninos, pela variedade de cores de sua indumentária e sonoridade de seus instrumentos.
O sotaque de matraca ou da Ilha se destaca por atrair grande número de brincantes em suas apresentações. Há predominância de matracas e pandeirões dentre os seus instrumentos e distinguem-se dos demais por possibilitar a participação de brincantes sem indumentária.
O sotaque da baixada, também conhecido como sotaque de pindaré ou pandeirão, tem instrumentos e indumentária peculiares. As matracas tocadas pelos brincantes são de tamanho menor se comparadas às dos grupos do sotaque da Ilha. Nesses grupos há uma personagem característica: os cazumbás, pessoas vestidas com largos chambres estampados, que rebolam à medida que fazem soar seus chocalhos. Os cazumbás são caracterizados por grandes máscaras feitas artesanalmente, lembrando bichos com grandes focinhos.
Os bois de costa de mão ou de Cururupu são assim conhecidos por seus músicos tocarem um pandeiro de pequeno porte com as costas das mãos.
O Tambor de Crioula é uma dança de origem africana, praticada por descendentes de negros no Maranhão, em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração.
Os motivos que levam os grupos a dançar o tambor de crioula são variados, podendo ser: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou uma simples reunião de amigos.
A animação é feita com o canto puxado pelos homens, com o acompanhamento das mulheres. Um brincante puxa a toada de levantamento, que pode ser uma toada já existente ou improvisada. Em seguida, o coro, integrado pelos instrumentistas e pelas mulheres, acompanha, passando esse canto a compor o refrão para os improvisos que se sucederão.
Na dança Tambor de Crioula, encontramos uma particularidade que se constitui no ponto mais alto da coreografia da dança: a punga. Entre as mulheres, se caracteriza como um convite para entrar na roda. Quando a brincante está no centro e quer sair, avança em direção à outra companheira, aplicando-lhe a punga, que consiste no toque com a barriga. A que estiver na roda vai para o centro para continuar a brincadeira.
Toda a marcação dos passos da dança é feita por um conjunto de tambores rústicos que os brincantes chamam de parelha. São três tambores nos tamanhos pequeno, médio e grande, feitos de troncos de mangue, pau d'arco, soró ou angelim. Um par de baquetas batidas no corpo do tambor grande auxilia na marcação. O tambor pequeno é conhecido como crivador ou pererengue; o médio é chamado de meião ou chamador e o grande recebe os nomes de roncador ou rufador. Durante a dança, os tambores são esquentados na fogueira para que tenham afinação perfeita.
O cacuriá é, também, uma dança de roda animada por instrumentos de percussão. Tem origem na festa do Divino Espírito Santo, quando, após a derrubada do mastro, as caixeiras se reúnem para brincar.
Os instrumentos são as caixas (pequenos tambores) que acompanham a dança, animada por um cantador ou cantadora, cujos versos de improviso são respondidos por um coro formado pelos brincantes.
De origem indígena, a dança do Caroço se concentra na região do Delta do Parnaíba, principalmente no município de Tutóia. É executada por brincantes de qualquer sexo ou idade.
As toadas improvisadas são tiradas pelos cantadores, com o acompanhamento dos brincantes, que respondem com o refrão, acompanhados de instrumentos como caixas (tambores), cuíca e cabaça.
Com roupas simples e livres, os componentes dançam isolados, formando uma roda ou cordão. As mulheres trajam-se com vestidos de corpo baixo, na cor branca, com gola redonda e mangas com quatro folhos pequenos do mesmo tecido da saia, que deve ser estampada, franzida e curta, com três folhos. |